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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Manipulando a semântica

Na última quinta-feira, estive conversando com uma de minhas professoras que me relatou um fato bem interessante e até certo ponto intimidador.

Ela me contou que existem significados intrínsecos em algumas palavras, principalmente no meio jornalístico, ou seja, atribuem-se valores a algumas palavras, diferentes, ou melhor, que vão além do seu real (ou pelo menos de senso comum) significado. Essas palavras caem assim numa percepção quase generalizada e absurdamente subconsciente. E digo "absurdamente subconsciente", porque pouquíssimas pessoas se dão conta do que realmente acontece e o que realmente está por trás disso. E esse fato é bastante sério. Afinal, semântica pode ser o apogeu ou o caos durante o processo de cognição.

Acontece que durante muitos anos, ao lermos ou ouvirmos um jornal, nos deparamos muitas vezes com o seguinte termo: menor infrator. A palavra infrator em sua origem diz respeito àquele que ignora e despreza as leis e normas traçadas pelo estado para o correto e ordenado comportamento social da população. Já a palavra menor em sua origem dentro do contexto, aponta aquele que ainda não completou a maioridade, ou seja, menor de 18 anos - idade em que juridicamente uma pessoa sã é responsável e passível de arcar com seus atos. Simples né?!

Antes fosse......

Se pensarmos na palavra criança e no seu significado, veremos que esta se encaixa no mesmo conceito de "menor". De forma que toda criança é menor, mas nem todo menor é criança.

E é exatamente de acordo com esse pensamento que minha professora me fez observar que sempreeeee, mas sempre mesmo, há muito e muito tempo, a palavra menor está intimamente ligada às palavras infrator, delinquente, largado, à margem, e por aí vai.

É bizarro, mas é verdade. Passe a observar os jornais (em qualquer mídia) e você verá que não há incidência do termo “criança infratora”, ou “adolescente infrator”; é sempre menor infrator. Há uma separação entre o bem e o mal. Parece meio dramático e piegas, mas é assim que tem sido em relação, não só a essas palavras, mas a várias outras que são sinônimas, ou de significado próximo.

Resumindo. Toda vez que se noticia um fato bom, interessante ou agradável em relação a pessoas que não completaram 18 anos, tem-se usado as palavras: criança e adolescente. E quando se notícia algo ruim, triste ou ilegal usa-se a palavra: menor.

É como se você já estivesse errado só pelo fato de ser menor. Entende?

E onde essa questão semântica faz diferença?

Em tudo!

É dessa forma que rótulos passam a ser criados despercebidamente e entranham em nossos subconscientes quase que sem a nossa opinião, cercando-os de preconceitos invisíveis, porém muito maléficos e quase sempre indeléveis.

Quer ver outro exemplo?

A palavra "elite".

(Que foi a palavra que mais me inspirou a escrever)

Segundo um dicionário simples, a palavra elite quer dizer: o que há de melhor numa sociedade; o escol, a flor, a nata, o grupo mais culto ou mais forte, dominante na sociedade. Olha que lindo?! Que interessante?! Que atraente, né?!

Mas quando se usa a palavra elite, na maioria dos contextos possíveis, é gerado um certo desconforto. Para se ter uma idéia é uma palavra quase proibida em campanhas de marketing de tão desconfortável que é; pior que as palavras: suvaco, mariola e bucéfalo. Hehehe!!!

Isso acontece porque os meio de comunicação acabam agregando um valor inexistente a algumas palavras. No caso de “elite”, é sempre a “elite dominante” que domina, submete. Fazer parte da alguma elite acaba por se tornar um objetivo indesejado, quando na verdade, deveria ser exatamente o contrário.

Devemos estar bastante atentos a isso e termos total consciência do significado de cada palavra, tornando-nos claros com todos com os quais nos comunicamos. E isso nos ajuda a não criar mais conceitos errados ao ouvirmos determinados termos, ou até mesmo determinados nomes. Vai dizer que você pretende colocar o nome de sua filha Ariadna ou o do seu filho de Hitler? São apenas nomes...

Pois é.... rótulo depois que é criado é f***!!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Para amar alguém

Para amar alguém

É preciso ser amor

Para amar alguém

Faça o que for

E que seja infinito

Um segundo até se pôr

Para amar alguém

Que seja gentilmente

Para amar alguém

Seja absorto e envolvente

Pois fica, paralisa

Suave, vento brisa inconsciente

Para amar alguém

Há o que se funde ao dividir

Por pedaço, por inteiro

Transparente em se despir

Para amar alguém

Que entenda o que é inconcebível

Para amar alguém

Desestruture o inabalável

Entregue, esqueça, erre

E o que é próprio, passa,

Pode por palpável

Caminhe. E que seja até cansar

Aviste. E que finde em cegar

Para amar alguém

Se entregue ao que é amar.

Vinícius Rocha

17/11/2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Vlog

Como sempre dificilmente a gente é pioneiro em alguma coisa, tem sempre alguem que descobriu ou fez o que a gente tá fazendo antes da gente, mesmo que a gente não saiba. Que merda, né?!
Updating¹: eu odeio o "insert"do teclado
Mas enfim... Graças a um grande amigo, eu descobri os VLOGs!
O que é isso?
São blogs de vídeo. Dá para percerber, não é, animal?
Pessoas muito ocupadas e pessoas muito desocupadas gravam em vídeos suas idéias e postam num vlog (videolog) e postam em canais específicos. Tem vários no youtube.
Portanto (que é junto) eu vou postar aqui alguns que eu vi e gostei:

lreporta: www.youtube.com/lreporta


OmediCast: www.omedicast.net


Vagazóides: www.youtube.com/vagazoides


MasPoxaVida: www.youtube.com/maspoxavida

Felipe Neto: www.youtube.com/felipeneto

MysteryGuitarMan: http://www.youtube.com/mysteryguitarman

Vale pena, conferir ! ! !

quem sabe eu faço o meu em breve!!

Updating²: Marcelo, obrigado pelo dica! Sempre vc!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

O que está acontecendo com a música nacional

Por muitas vezes e há bastante tempo eu tenho sido questionado sobre a renovação de artistas - de uma forma geral - da música brasileira. Quase sempre a indagação é a mesma, porque não existem mais cantores, cantoras, bandas, poetas e compositores como antigamente?

A resposta é simples! O público não é mais o mesmo!

Dizer que não existem mais artistas como antigamente, não quer dizer que não existem mais artistas bons. Não mesmo.

No âmbito nacional posso citar incontáveis talentos como Ana Carolina, Paulinho Moska, Maria Gadu, Leandro Léo, Fresno (que mesmo que poucos conheçam são extremamente talentosos), Casuarina, Pedro Miranda, Robertá Sá, Chicas, Los Hermanos, enfim...

O público não é o mesmo, porque, além de não terem o mesmo propósito, os jovens de hoje (que absorvem a maior parte dos produtos de música) são muito promiscuos - musicalmente falando - ficando apaixonados por uma banda ou artista durante um ano e no outro já nem se lembram mais. É tanta novidade boa e ruim, que a maioria do público - que já não é muito idealista - acaba não sendo fiel. Por esse motivo não se firmam artistas seculares na atualidade, eles vêm e vão na mídia com muita rapidez; o que não quer dizer que não continuem produzindo. O que é bom geralmente segue com seus fiéis admiradores e têm sim seu espaço. O que é ruim acaba caindo por terra depois de um sucesso "meteórico" (sem nenhuma alusão à "paixão").

Quando afirmo que o público não é o mesmo, também lembro que a mídia não é mais a mesma. Há uma mudança constante e veloz na atividade musical mundial, no gosto e na necessidade do público em geral.

Hoje em dia consumimos música de forma diferente em relação aos anos 80, 70 e 60. E isso acontece baseado na facilidade de entrada de músicas internacionais e no quantidade de produtoras e mídias da área músical. Existem centenas de programas de rádio, Tv, colunas em jornais e revistas, sem falar a internet, que veiculam música sem parar. Por tanto as ofertas são muitas. A gente se perde se não estiver antenado. Além disso a mídia de massa - neste caso, a Tv - empurra goela a baixo, lixo músical, que eu nem quero citar, e acabam tirando espaço de artistas talentosos com músicas de qualidade.

Por outro lado, também estamos passando por uma enxurrada de estilos musicais. Antigamente (e não muito antigamente) o estilos ficavam quase que separados geograficamente; no nordeste era forró, axé; no centro-oeste tinha só música sertaneja e modinhas e por aí vai. Agora temos de tudo um pouco, ou melhor, de tudo muito. Quem ganha ou "compra" espaço, é lançado independente de estilo, local e qualidade, todos os lançamentos de artistas novos são em âmbito nacional, o que é bom.

Por fim vale rever os conceitos, preconceitos e paradigmas musicais e a aprender a procurar e focar o gosto musical, pois, se antigamente só os bons faziam sucesso, hoje tem de tudo, inclusive música boa.

Procure, escute, experimente, pergunte e vc vai ver que a música nacional é riquíssima de gente boa e nova, sem falar nas antigas que ainda estão na ativa.

Updating¹: Visite os sites da Trama Virtual, Biscoito Fino, DeckDisc entre outras e procure musicas de gravadores independentes, existem várias desse tipo. E pare de baixar e escutar apenas uma ou duas músicas do cd. Não é só a música que toca na novela que é boa!

Updating²: Duro mesmo é saber que a Xuxa tem a mesma quantidade de Cds lançados que a Maria Betânia...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Barrigudos Covardes

Nada melhor que ditados populares óbvios para ilustrar uma tese, por mais inúteis que estas sejam. Mas enfim.... o tempo passa para todo mundo, independentemente da teoria da relatividade. Isso, além de um ditado popular, é um fato (como a maioria dos ditados). Digo isso porque o passar do tempo trás várias novidades e uma delas - pelo menos para as portadores de alto nível de testosterona - é a covardia que, para completar, vem seguida de um certo volume na região abdominal.

A natureza me mostrou sua perfeição esses dias, quando, ao conversar com um especialista da área, descobri porque a maioria dos homens fica barrigudo quando vai ficando velho. É simples! O ser humano é um animal projetado para caçar e (teoricamente) ele vive da sua caça; conforme a idade vai passando os reflexos desse animal vão ficando mais lentos, assim como seus movimentos, seus sentidos vão ficando ruins, por isso, o corpo passa a armezenar maior quantidade de reserva (a partir de agora não vou chamar mais ninguém de gordinho, só de "bem provido de reserva"). E graças a essa reserva, o animal precisa caçar com menos frequência. Bem interessante, não?!

É por isso que ficamos barrigudos.

Além disso, é impressionante como os homens vão adquirindo uma covardia crescente que se apresenta de diversas formas. Você acha qua aquela ladeira que você descia de bicicleta sem freio aos 14 anos vai ser tão atraente aos 28? Não, não mesmo! E pelos mesmos motivos da barriga. Os reflexos vão ficando mais lentos, assim como os movimentos.

E o pior: a gente vai ficando menos criativo. Aquela coragem que a gente tinha para contar uma mentirinha, já não é mais a mesma. Eu costumo chamar isso de "casca". A gente vai ficando tão cascudo de coisas que dão errado, que vai dando tanto medo de algo dar errado que acaba perdendo a coragem. Aí já era.... virou covarde.

Ser covarde não tão ruim. Ser barrigudo, sim. Mas a covardia cai bem. Gera frustação, mas também gera paz e barriga. É praticamente um ciclo gorduroso.

Updating: E se você está ficando velho, não adianta fazer lipo e embarcar em aventuras desmedidas, as possibilidades de isso dar errado, são grandes. Palavras de um medroso.

Updating²: Com os devidos créditos a Rubens Stellet - que concebeu a teoria.

domingo, 18 de julho de 2010

Estou em gravação

Pessoal,

como todos sabem não sou cantor, sou músico e compositor (e arquivista nas horas vagas), mas estou reunindo uma galera boa e começando a gravar minhas músicas, em breve vcs vão poder ouvir as composições que eu selecionei.
Por ora, quem quiser ouvir a música de alguma poesia que eu postei, é só pedir aí no blog (no espaço de comentários). Ainda não postei nenhuma, pois foram todas gravadas em casa, logo a qualidade fica meio duvidosa.
Conforme for gravando, vou postando aqui. Ok?!

Tô super ansioso, pois tá difícil de escolher quais que eu vou gravar. Se eu pudesse, gravava todas.... mas sabe como é né.... tô $uper $em tempo.

Abraço a todos ! ! !

Porque os poetas podem tudo

Essa é uma da minhas poesias que mais gosto.

 

Ao papel, tudo podem os poetas.

Porque sequer conseguem definir a inspiração,

Como uma amiga, uma companheira;

Como um momento, um instante;

Como um sentimento, uma sensação.

Não sabem se o coração é seu dono,

Se ela é quem manda, ou se é o próprio coração.

 

Ao escrever, tudo os poetas podem.

Porque ao vê-los, até mesmo as folhas de papel se entregam,

Prontas a receber o que os tais designaram.

Elas sabem que nas mãos de poucos,

Tão importante seriam.

 

Ao expressar, podem tudo os poetas.

Porque o Português pede-lhes licença

Para entrar em suas idéias,

Todas as partes da gramática

São como suas Amélias.

 

Ao poetizarem, os poetas tudo podem.

Porque ao os lerem, as pessoas se revelam;

Os mais diferentes sentimentos se apresentam

Nas suas mais puras e sinceras formas.

 

Os poetas podem tudo.

Porque são os únicos capazes de,

Com uma falha caneta e um papel infecundo,

Trazerem a cura para cada um

E para o mundo.

Vinícius Rocha